Sem novo concurso Correios, empresa ameaça greve em pelo menos três estados
Concurso Correios começou a ganhar força após despacho do presidente Lula que revoga processo de privatização
Fernando Cezar Alves Publicado em 22/11/2023, às 12h45
Com grande expectativa pela realização de um novo concurso Correios, a falta de contratação de servidores é um dos motivos que está levando a empresa a discutir a possibilidade de greve em pelo menos três estados. A Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect) anunciou, nesta quarta-feira, 22 de novembro, a convocação para que os sindicatos vinculados anunciem greve a partir desta quinta-feira, dia 23, às vésperas da Black Friday.
A greve dos Correios já foi aprovada no Maranhão e segue em votação no Rio de Janeiro e nos sindicatos das cidades de São Paulo e Bauru, em São Paulo. A Findect representa 40% do efetivo nacional e 60% do fluxo postal do país.
Entre as reivindicações da categoria estão a não incorporação de R$ 250 ao salário base, ponto acordado em negociação coletiva.
Mas também está a realização de concurso público, como indicado em nota divulgada pela Findect:
Nossa greve não é apenas uma resposta a essas inconsistências, mas também uma cobrança pela realização do concurso público, pela melhoria nos planos de saúde e por condições de trabalho dignas. Tendo em vista que a situação se agrava a cada dia devido à falta de concurso público e a um efetivo defasado há mais de uma década.
Concurso Correios: seleção em pauta desde o início do ano
A confirmação de um novo concurso é aguardada desde 2 de janeiro, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou despacho revogando o processo de privatização de oito empresas públicas, incluindo os correios.
Além disso, as contratações fazem parte de um acordo coletivo de trabalho apresentado aos servidores pela empresa em setembro.
Os estudos para o novo certame também chegaram a ser anunciados em 12 de setembro pelo presidente da empresa, Fabiano Silva. "Esse concurso não apenas abrirá portas para novos talentos, mas também fortalecerá a categoria dos Correios, trazendo sangue novo e conhecimento atualizado para a empresa", disse, na ocasião.
Cargos e requisito para o concurso Correios
- Atendimento Comercial, Carteiro e Operador de triagem e transbordo – certificado, devidamente registrado, de conclusão de curso de ensino médio ou curso técnico equivalente, expedido por instituição de ensino reconhecida pelo órgão competente;
- Auxiliar de Enfermagem do Trabalho Júnior – Ensino Médio e certificado de conclusão de curso de Auxiliar de Enfermagem;
- Técnico de Segurança do Trabalho Júnior – Ensino Médio e de Curso de Técnico em Segurança do Trabalho;
- Engenheiro de Segurança do Trabalho Júnior – Diploma ou certificado de conclusão de Bacharel no curso de Engenharia ou Arquitetura. Certificado de conclusão de curso de especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho, em nível de pós-graduação. Registro profissional e comprovante de regularidade no respectivo Conselho de classe;
- Enfermeiro do Trabalho Júnior – Nível superior em Enfermagem, com especialização em Enfermagem do Trabalho;
- Médico do Trabalho Júnior – Ensino superior em Medicina; especialização em Medicina do Trabalho, em nível de pós-graduação, ou certificado de residência médica em área de concentração em saúde do trabalhador ou denominação equivalente.
Saiba como foi a última seleção
O último concurso Correios ocorreu em 2017. Antes disso, outra seleção havia sido realizada em 2011.
Em 2017, os cargos foram os seguintes:
- Auxiliar de Enfermagem do Trabalho Júnior - 12 vagas
- Técnico de Segurança do Trabalho Júnior - 21 vagas;
- Enfermeiro do Trabalho Júnior - 2 vagas;
- Engenheiro de Segurança do Trabalho Júnior- 9 vagas
- Médico do Trabalho Júnior - 44 vagas.
A organizadora, na ocasião, foi o IADES.
Em 2011 foi realizado concurso para Agente de Correios, incluindo:
- Carteiro,
- Atendente Comercial
- Operador de Triagem e Transbordo
Sobre Correios
Os Correios tiveram sua origem no Brasil em 25 de janeiro de 1663, com a criação do Correio-Mor no Rio de Janeiro, então capital da Colônia. Em 1931 o decreto 20.859, de 26 de dezembro de 1931 funde a Diretoria Geral dos Correios com a Repartição Geral dos Telégrafos e cria o Departamento dos Correios e Telégrafos. A ECT foi criada a 20 de março de 1969, como empresa pública vinculada ao Ministério das Comunicações mediante a transformação da autarquia federal que era, então, Departamento de Correios e Telégrafos (DCT). Nos anos que se seguiram, vários serviços foram sendo incorporados ao portfólio da empresa.
Além dos tradicionais serviços de cartas, malotes, selos e telegramas, entre os novos serviços podem ser destacados os pertencentes à família Sedex, serviço de encomendas expressas. Impulsionados pelas mudanças tecnológicas, econômicas e sociais, os Correios iniciaram em 2011 um profundo processo de modernização. Com a sanção da Lei 12.490/11, a empresa teve seu campo de atuação ampliado e foi dotada de ferramentas modernas de gestão corporativa para enfrentar a concorrência. Com a nova lei, os Correios podem atuar no exterior e nos segmentos postais de serviços eletrônicos, financeiros e de logística integrada; constituir subsidiárias, adquirir controle ou participação acionária em empresas já estabelecidas e firmar parcerias comerciais que agreguem valor a sua marca e a sua rede de atendimento.
Ao todo são mais de cem produtos e serviços oferecidos pela maior empregadora do Brasil (no início de 2008 com mais de 109 mil empregados próprios, além dos terceirizados), sendo a única empresa a estar presente em todos os municípios do país, com uma vasta rede de unidades próprias e franqueadas. Diversos dos produtos e serviços da ECT podem ainda ser adquiridos pela internet.