Como a Inteligência Artificial vai mudar o mercado de trabalho
A Inteligência Artificial não vai substituir os humanos no mercado de trabalho, mas vai exigir novas habilidades e competências dos profissionais. Saiba quais são as áreas e carreiras que podem se beneficiar da IA
Victor Meira Publicado em 21/02/2024, às 11h03
A Inteligência Artificial (IA) é uma das tecnologias mais disruptivas e inovadoras da atualidade, capaz de transformar diversos setores da sociedade, como saúde, educação, transporte, entretenimento e, claro, o mercado de trabalho.
Mas será que a IA vai tomar o lugar dos humanos nas empresas? Será que as profissões que conhecemos hoje vão desaparecer? Será que vamos precisar nos reinventar para acompanhar as mudanças?
Segundo a Robert Half, consultoria global de soluções em talentos, a resposta para essas perguntas é: depende. Apesar do significativo potencial de transformação do panorama de emprego, não há indícios concretos de que a IA substituirá a presença humana no mercado de trabalho.
Até o momento, as evidências apontam para uma complementaridade: a IA executará funções mecanizadas e padronizadas, enquanto o ser humano continuará sendo essencial em atividades que demandam senso crítico, criatividade e empatia.
O futuro do trabalho é híbrido
De acordo com a consultoria, a tendência é que no mercado de trabalho do futuro as tarefas mais operacionais sejam executadas majoritariamente por Inteligência Artificial. Entretanto, essa adaptação não representa uma redução no número de empregos e/ou oportunidades. Pelo contrário, pode gerar novas demandas e desafios para os profissionais, que terão que se qualificar para lidar com a IA e aproveitar seus benefícios.
Na visão de Leonardo Berto, gerente da Robert Half, grandes mudanças fazem parte da trajetória profissional.
“Não podemos deixar de lado o fato de que o mercado de trabalho contemporâneo é extremamente dinâmico. Muitos cargos que estão hoje em destaque nem sequer existiam até alguns anos atrás. Assim como profissões podem deixar de existir, novas também serão criadas”, afirma.
Educação continuada é fundamental
O executivo da Robert Half sugere que a principal forma de minimizar o impacto da transformação digital no emprego é educar-se constantemente, equipando-se com habilidades relevantes às novas funções emergentes ou capacitando-se para supervisionar o trabalho realizado pela IA.
“Enfatizo que a responsabilidade está principalmente nas mãos do profissional, que deve ser o protagonista da própria carreira e investir tanto em conhecimento técnico quanto no desenvolvimento contínuo de soft skills. Junto com o conhecimento acadêmico, a capacidade analítica humana permanecerá inestimável e nunca perderá seu valor. Pelo contrário, se tornará ainda mais essencial nas ocupações do futuro”, completa Berto.
As áreas e carreiras que vão se destacar com a IA
Tendo em vista o cenário de inovação, a Robert Half destaca algumas áreas e/ou carreiras que podem surgir ou se desenvolver por conta da ascensão da Inteligência Artificial. São elas:
- Gerente de transformação digital: responsável por liderar e coordenar projetos de implementação e integração de tecnologias digitais nas organizações, como a IA, o big data, a internet das coisas, entre outras. Esse profissional deve ter visão estratégica, habilidades de gestão de mudança e de equipes multidisciplinares, além de conhecimentos técnicos e de negócios.
- Engenheiro(a) de prompt: responsável por projetar, desenvolver e testar prompts, que são instruções ou solicitações que orientam a geração de conteúdo ou código por meio da IA. Esse profissional deve ter domínio de linguagens de programação, lógica, matemática, estatística e linguística, além de criatividade e capacidade de comunicação.
- Desenvolvedor de modelos: responsável por criar, treinar e otimizar modelos de aprendizado de máquina, que são algoritmos que permitem à IA aprender com dados e realizar tarefas específicas. Esse profissional deve ter conhecimentos avançados de matemática, estatística, programação, ciência de dados e inteligência artificial, além de habilidades de análise e resolução de problemas.
- Departamentos jurídico/governança: responsáveis por garantir o cumprimento das leis, normas e regulamentos relacionados ao uso da IA, bem como assegurar a ética, a transparência e a responsabilidade na aplicação da tecnologia. Esses profissionais devem ter conhecimentos jurídicos, técnicos e de negócios, além de habilidades de negociação, mediação e gestão de riscos.
- Especialista em cibersegurança de IA: responsável por proteger os sistemas de IA de ataques cibernéticos, que podem comprometer a integridade, a confiabilidade e a disponibilidade da tecnologia. Esse profissional deve ter conhecimentos de segurança da informação, inteligência artificial, redes, criptografia e programação, além de habilidades de investigação, prevenção e resposta a incidentes.
- Analista de dados avançados: responsável por coletar, processar, analisar e interpretar grandes volumes de dados, usando técnicas e ferramentas de IA, para gerar insights e soluções para as organizações. Esse profissional deve ter conhecimentos de matemática, estatística, programação, ciência de dados e inteligência artificial, além de habilidades de comunicação, visualização e storytelling.
- Engenheiro de manufatura com automação inteligente: responsável por projetar, implementar e monitorar processos de produção industrial que utilizam a IA para automatizar e otimizar as operações. Esse profissional deve ter conhecimentos de engenharia, mecânica, elétrica, eletrônica, robótica e inteligência artificial, além de habilidades de gestão de projetos, qualidade e segurança.
- Consultores: responsáveis por assessorar e orientar as organizações sobre as melhores práticas, estratégias e soluções envolvendo a IA, de acordo com as necessidades e os objetivos de cada negócio. Esses profissionais devem ter conhecimentos técnicos, de mercado e de negócios, além de habilidades de comunicação, relacionamento e persuasão.
“Dificilmente haverá no futuro um consultor que saiba responder a todas as perguntas sobre Inteligência Artificial. Um dos grandes desafios dessas tecnologias, que, no entanto, também reforça o seu potencial, é a necessidade de análise e adaptação para a realidade de cada negócio”, encerra Leonardo Berto.
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