Concursos São Paulo: projeto de lei prevê reserva de vagas para pessoas trans e travestis

Projeto de lei que prevê reserva de vagas em Concursos São Paulo deve seguir para análise nas diversas comissões temáticas da Alesp

Fernando Cezar Alves   Publicado em 05/06/2025, às 09h00

Assembleia Legislativa de São Paulo: divulgação

Foi apresentado, nesta quinta-feira, 5 de junho, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), o projeto de lei 568/2025, da deputada Monica Seixas do Movimento Pretas (Psol), que prevê a reserva de 1% das vagas dos concursos realizados em São Paulo para pessoas trans e travestis. Agora, o texto segue para análise nas diversas comissões temáticas da casa, antes de ser votado, em definitivo, no plenário.

De acordo com o texto, a reserva de vagas pode ocorrer em concursos com oferta de pelo menos dez vagas, tanto da administração direta quanto da indireta, incluindo autarquias e fundações públicas.

A condição poderá ser comprovada por uma comissão de heteoidentificação de gênero, composta com pelo menos três membros, com participação de pessoas de notório saber em direitos humanos, diversidade de gênero e políticas públicas de equidade.

Concursos São Paulo: veja o texto da proposta

Projeto de Lei
Dispõe sobre a reserva de 1% das vagas em concursos públicos do Estado de São Paulo
exclusivamente para pessoas transexuais e travestis, e dá outras providências

A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO DECRETA:

Veja a justificativa do projeto

O presente Projeto de Lei propõe a reserva de 1% das vagas em concursos públicos
estaduais exclusivamente para pessoas transgênero e travestis, com o objetivo de
promover inclusão social, equidade e reparação histórica a um dos grupos mais
vulnerabilizados da sociedade.

De acordo com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), o Brasil
lidera os índices de assassinatos de pessoas trans e travestis, cuja expectativa média de
vida é de aproximadamente 35 anos — menos da metade da média nacional. O Dossiê
da ANTRA de 2023 revela que mais de 90% das pessoas trans sobrevivem na
informalidade, e cerca de 80% das mulheres trans e travestis estão na prostituição, por
falta de acesso ao emprego formal.

A exclusão dessa população do mercado de trabalho, especialmente do serviço público,
é reflexo da transfobia estrutural e institucional que ainda prevalece. Mesmo com
qualificações adequadas, pessoas trans enfrentam dificuldades desproporcionais para
acessar e permanecer em cargos públicos, muitas vezes barradas por preconceitos no
processo seletivo ou em ambientes hostis.

Este projeto não propõe privilégios, mas sim a adoção de uma medida afirmativa de
justiça social, à semelhança das cotas raciais ou para pessoas com deficiência. Trata-se de corrigir desigualdades históricas e estruturar mecanismos que garantam o mínimo de
equidade no acesso a oportunidades públicas.

A proposta está alinhada ao entendimento do Supremo Tribunal Federal na ADI 4275,
que reconheceu o direito à retificação de nome e gênero com base na autodeterminação, sem a necessidade de laudos médicos ou decisões judiciais. Da mesma forma, o concurso público deve respeitar a identidade de gênero autodeclarada dos candidatos.

O Estado tem o dever de fomentar políticas inclusivas e de combate à discriminação. A
reserva de vagas para pessoas trans e travestis representa um avanço necessário para a
construção de um serviço público mais diverso, justo e representativo.

Sala das Sessões,
Deputada Estadual Monica Seixas
Monica Seixas do Movimento Pretas - PSOL 

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