Segurança alimentar em risco: como as mudanças climáticas e conflitos afetam a produção global de grãos
Brasil se torna peça-chave no abastecimento mundial, mas enfrenta seus próprios desafios climáticos e logísticos
José de Oliveira Publicado em 28/07/2025, às 08h58
A segurança alimentar global voltou ao centro das atenções com o agravamento das mudanças climáticas e o prolongamento de conflitos como a guerra na Ucrânia. Com exportações em declínio e eventos climáticos extremos prejudicando lavouras em diversos países, o Brasil ganha relevância como fornecedor estratégico de grãos.
Efeitos da guerra na Ucrânia e sanções à Rússia
A guerra no Leste Europeu afetou diretamente o fornecimento de trigo e milho, além de comprometer a exportação de fertilizantes russos, essenciais para a produção agrícola global. A escassez aumentou os preços internacionais e gerou preocupações em países dependentes das importações da região.
Eventos climáticos extremos afetam a produção
Secas prolongadas nos Estados Unidos e na Argentina, além de inundações em países asiáticos, reduziram drasticamente o volume colhido em 2024. A irregularidade climática tornou-se o novo padrão, desafiando as previsões e elevando os riscos de insegurança alimentar.
O papel estratégico do Brasil
Como um dos maiores produtores mundiais de soja, milho e arroz, o Brasil ampliou suas exportações em meio à crise. A posição geográfica e o clima tropical favorecem a produção em duas safras anuais, mas gargalos logísticos e ameaças ambientais ainda representam obstáculos.
Riscos internos e dependência de insumos
Apesar da força do agronegócio, o país depende fortemente de fertilizantes importados. Além disso, o avanço sobre áreas sensíveis como o Cerrado e a Amazônia gera alerta sobre a sustentabilidade da produção no longo prazo.