Por que o Estreito de Ormuz é ponto estratégico do mundo e centro das tensões entre Irã, EUA e Israel
Corredor marítimo que liga o Golfo Pérsico ao oceano controla 20% do petróleo global e é alvo constante de ameaças militares e diplomáticas
José de Oliveira Publicado em 24/06/2025, às 11h06
O Estreito de Ormuz, com apenas 39 km de largura no ponto mais estreito, é considerado o gargalo marítimo mais estratégico do mundo. Cerca de um quinto do petróleo consumido globalmente passa por ali todos os dias. É também o epicentro de disputas envolvendo o Irã, os Estados Unidos, Israel e países do Golfo Pérsico. A estabilidade da região influencia diretamente os mercados internacionais e o custo da energia em países como o Brasil.
A localização estratégica do Estreito de Ormuz
Situado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, o Estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico ao Mar de Omã e ao oceano Índico. É a única rota marítima de exportação para o petróleo de países como Arábia Saudita, Kuwait, Catar e Iraque. Qualquer bloqueio nessa passagem causa impactos imediatos no preço do barril no mercado internacional.
Histórico de conflitos na região
Desde a Revolução Islâmica no Irã em 1979, o estreito tem sido palco de tensões recorrentes. Durante a Guerra Irã-Iraque, na década de 1980, navios petroleiros foram alvos de ataques. Mais recentemente, o Irã ameaçou bloquear o tráfego naval em resposta a sanções dos EUA e confrontos com Israel no entorno do Golfo.
A geopolítica do petróleo e da segurança
Os EUA mantêm presença militar constante na região, alegando garantir a segurança da navegação. Israel vê o Irã como ameaça existencial e apoia iniciativas de contenção ao avanço iraniano. Arábia Saudita, por sua vez, disputa a liderança regional e teme que o controle do estreito por Teerã afete seus interesses econômicos e políticos.
Reflexos no Brasil e no mundo
Qualquer crise no Estreito de Ormuz eleva os preços do petróleo e afeta países importadores como o Brasil, pressionando o custo do diesel e da gasolina. Além disso, fertilizantes e derivados de petróleo também são impactados, com efeitos diretos na cadeia agrícola e na inflação brasileira.