Pai descobre autismo só depois de impressionante diagnóstico do filho: "nova jornada"
Ativista e pesquisador, Lucelmo Lacerda reflete sobre o diagnóstico TEA do filho, que fez com que se descobrisse autista; Saiba mais detalhes
Jean Albuquerque Publicado em 24/07/2023, às 17h03
O pesquisador, ativista do Transtorno do Espectro Autista (TEA), doutor em educação, Lucelmo Lacerda, é autor do livro "Crítica à pseudociência em educação especial: Trilhas de uma educação inclusiva baseada em evidência" e escreveu para a Veja sobre o diagnóstico do seu filho, Benício, que nasceu em 2008.
Lacerda conta que quando o filho nasceu já era professor e pesquisador, estava concluindo o mestrado e entrando no doutorado, mas o espectro era, naquele momento, um assunto estranho para ele.
"Das poucas referências que tinha, a mais presente era o filme Rain Man, de 1989, que me orientava em uma visão limitada e estereotipada da condição. Foi somente quando meu filho completou 3 anos que veio o diagnóstico, a aceitação e o começo de uma jornada de conhecimento", disse.
Para ele, era uma época de início de tratamento, que resultou numa intervenção "já demonstradamente inefetiva, mas não sabíamos disso até então". O pesquisador conta ainda que seguiu assim por longos quatro anos e que também era mal informado pelo conteúdo disponível na internet, "conhecimentos pseudocientíficos ou simplesmente falsos prosperam de modo volumoso e veloz".
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Experiência com filho mudou campo de pesquisa
Lacerda relata que, quando começou a procurar por melhores recomendações para o filho, mudou de área de pesquisa. Passou a direcionar os seus esforços ao Transtorno do Espectro Autista (TEA) e às práticas terapêuticas e educacionais.
Após descobrir que a estratégia inicial recomendada pelo médico não estava surtindo os efeitos desejados, ele decidiu mudar de rumo. "Com a descoberta de que a estratégia indicada pelo médico no começo de nossa jornada era inefetiva, mudamos de rumo", acrescenta.
"E eu particularmente iniciei um árduo trabalho de divulgação científica sobre o transtorno do espectro autista nas redes sociais, principalmente no YouTube. Essa se tornou minha área de atuação profissional", escreve.
A grande descoberta
Ao investigar os quadros distintos do TEA, no qual os indivíduos necessitam cada vez menos de apoio, e ainda precisam enfrentar desafios comportamentais e sociais, ele começou a identificar alguns aspectos que viveu, principalmente durante a infância e adolescência. "Procurei uma avaliação profissional e descobri também meu próprio diagnóstico: TEA de nível 1", conta.
Lacerda, ao recordar o que viveu, destaca que essa história é comum com a de outros pais, além de condizer com o caráter genético da condição. "Hoje, meu irmão, dois sobrinhos e dois primos também têm diagnóstico confirmado de TEA", afirma.
"Olhar para o passado e compreendê-lo apropriadamente permite que ajustemos o passo a nossas idiossincrasias e nos assumamos tal como somos. Essa descoberta promoveu um envolvimento de outro nível com esse que agora é o debate da minha vida", defende.
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