Mercosul e União Europeia:o que falta para acordo comercial avançar?
Negociado há mais de 20 anos, tratado enfrenta impasses ambientais, industriais e políticos — e pode redefinir o papel do Brasil no comércio global
José de Oliveira Publicado em 10/07/2025, às 09h39
O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia é um dos mais ambiciosos já negociados entre blocos econômicos. Anunciado em 2019 após duas décadas de tratativas, ele ainda não foi ratificado. Impasses ambientais, pressões políticas e disputas comerciais explicam a demora — e colocam o Brasil no centro de uma disputa global entre interesses econômicos e ambientais.
Mais de 20 anos de negociação
Desde 1999, o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e a União Europeia negociam um tratado de livre comércio. O objetivo é facilitar o acesso a mercados, reduzir tarifas e impulsionar o comércio bilateral. Após anos de impasses, um acordo político foi anunciado em 2019, mas ainda falta a ratificação pelos parlamentos nacionais.
Entraves ambientais e pressão internacional
O principal obstáculo à ratificação está ligado ao meio ambiente. A imagem do Brasil em relação ao desmatamento da Amazônia gerou forte resistência de países como França e Irlanda. Organizações não governamentais e parlamentares europeus exigem garantias ambientais e mecanismos de fiscalização, o que emperra o avanço do tratado.
Oportunidades e riscos para o Brasil
Para o Brasil, o acordo representa uma oportunidade de ampliar exportações agrícolas, especialmente de carne, soja e açúcar. No entanto, setores industriais temem a concorrência com produtos europeus de maior valor agregado. A abertura comercial também pode exigir reformas na estrutura produtiva brasileira para aumentar a competitividade.
O futuro do acordo e a diplomacia brasileira
O governo brasileiro tenta reequilibrar a balança entre desenvolvimento econômico e compromissos ambientais. Diplomatas trabalham para ajustar cláusulas do tratado e convencer líderes europeus de que o Brasil é um parceiro confiável. A entrada em vigor do acordo pode redefinir o papel do Brasil nas cadeias globais de valor.